
Estamos vivendo um momento de transição e grandes incertezas. Uma forma de ser e estar no mundo diferente da que conhecíamos e estávamos habituados. Tudo se transformou rápido demais e parece que ainda não sabemos bem o que vem logo ali.
Mas como viver momentos de transição?
Stanley Keleman é um dos precursores no estudo da vida no corpo e sua conexão com os aspectos emocionais e criou o conceito das transições somáticas, que consiste em três etapas da experiência nas mudanças de vida.
Ele define essas etapas como Ending, Middle Ground e etapa formativa. A etapa do Ending consiste em um final, uma despedida de partes de nossas vidas que ficaram obsoletas. Cria-se nessa etapa um espaço vazio, tanto no mundo objetivo quanto na vida emocional. Isso gera uma ansiedade que se deve à uma energia livre que não se encaixa em nenhuma categoria antiga. É o momento de dar fim a algum padrão ou etapa de vida que já não serve mais.
Seguimos então para a etapa que Keleman chama de Middle Ground, definindo-a como uma espécie de caos sem controle, um lugar intermediário onde a espera pelo o que está por vir se faz necessária. Essa fase de espera ou escuta interna pode ser um convite para um mergulho na própria experiência, oportunizando insights, imagens ou sonhos que podem trazer um anúncio sobre um novo modo de viver.
Por fim chegamos à etapa formativa, que para o autor constitui um movimento de organização do nosso corpo que nos impulsiona em direção ao crescimento. Começamos a experimentar um outro modo de usar nossos corpos e a somatizar nossas imagens e emoções. Geramos algo novo, formando um novo padrão de ação, um novo modo de estar vivo.
Passamos por essas etapas muitas vezes em nossas vidas. Vivemos coletivamente no último ano um “ending” de um mundo pré-pandêmico que provavelmente não voltará mais a ser como era antes. Estamos agora nesta grande fase de transição, neste grande “Middle Ground”, para então começarmos a formar juntos um mundo novo que ainda não sabemos como será.
Isso causa muita angústia, um grande vazio do não saber. O futuro incerto. A certeza da incerteza.
Precisamos receber este momento dentro de nós. Fazer essa pausa. Nos despedir de um mundo que talvez não fosse mais possível. Para então gestarmos juntos um novo possível que nem sequer ainda conhecemos.
Momento de criarmos movimento no vazio, rumo a um futuro possível, mas que ainda não conhecemos a forma.