Como anda o seu “sentir”?

Foto por Magda Ehlers em Pexels.com

Olá. Entre e fique à vontade. O ano é 2021. Ou 2020. Ou talvez 2022. Tanto faz. O que você está sentindo aí? Me conta. Nada?

Angústia? Medo? Cansaço? Raiva? Indignação?

Não está nada fácil, não é verdade?

Tédio? Horror? Desânimo? Ansiedade? Desmotivação? Falta de perspectiva em relação ao futuro?

É bastante coisa.

Talvez não esteja nem dando vontade de sentir. Vamos, quem sabe, nos anestesiando também, aos poucos.

Mas e agora, o que vamos fazer?

Confesso que nem eu estou sabendo muito bem o que escrever por aqui. Mas vou tentar compartilhar algo. Ontem ouvi de uma grande estudiosa do trabalho corporal que estamos o tempo todo tendo sensações. Se fecharmos os olhos por alguns segundos com certeza iremos perceber alguma sensação em nossos corpos. Seja de dor, tensão, prazer ou alívio. Em momentos de crise o que nos sustenta/fortalece é a âncora do nosso corpo, nossas sensações, nossas memórias, nossos vínculos.

O momento atual, de excesso de exposição às telas dos computadores e telefones celulares e de distanciamento social nos deixa descorporificados, ou ainda, com corpos “ligados no automático”, distantes do sentir.

Mesmo com o retorno de algumas atividades presenciais e de encontros com pequenos grupos de pessoas, ou ainda para quem necessitou sair de casa durante toda a pandemia, sensações como medo, incerteza em relação ao futuro, luto e tristeza frente a todo esse contexto seguem nos acompanhando, o que pode nos levar a um certo anestesiamento emocional.

Entrar em contato com nossos corpos já um tanto cansados ou até tristes pode então, ser uma boa saída. Uma saída para a vitalidade em tempos tão difíceis. Nossos corpos podem estar desanimados, mas precisamos continuar movendo, nem que seja com micro movimentos. Um dia isso tudo vai acabar, e precisaremos de vitalidade para seguir.

Entramos em contato com nossas sensações e sentidos quando paramos, por exemplo, para observar o pôr do sol, ou uma planta, uma flor, escutar uma música que gostamos, beber ou comer algo apreciando com calma os sabores e aromas. Isso nos causa alguma sensação e retornamos ao nosso corpo, nosso “lar interno”.

Reforçamos a consistência de nossos vínculos quando conseguimos compartilhar o que sentimos com as pessoas que confiamos, com quem pode estar sentindo o mesmo. Podemos formar assim pequenas redes de apoio, nomeando melhor nossas dores e angústias, que podem ser as mesmas do outro, e isso agora se faz urgente e necessário.

Podemos assim resgatar nossas curas através das expressões autênticas e criativas de nossos corpos. O momento é de medo, dúvidas e questionamentos, de angústia existencial e busca por sentido. Mas precisamos seguir e a saída está no nosso próprio eixo. Estar presente e consciente pode ser menos cansativo do que fugir da dor.  Não sentir não vai nos ajudar ….. e precisamos continuar a sonhar.

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