
Relacionamento é um tema bastante complexo e que desperta grande interesse na maioria das pessoas, não é verdade? Relacionar-se com o outro nunca foi tarefa das mais fáceis, já que envolve, entre outras coisas, o autoconhecimento. Tenho percebido, porém, uma dificuldade maior de encontro entre as pessoas nos dias de hoje.
Se pararmos para observar o nosso momento atual, podemos perceber que estamos passando por profundas transformações, grandes revisões de valores e por uma flexibilização de padrões sociais e comportamentais. Já não precisamos mais conviver com as antigas definições de papeis masculinos e femininos e nem com regras e imposições de outros tempos.
Como ponto positivo ganhamos um mundo com mais espaço para a diversidade e mais liberdade nas escolhas. Em contrapartida, talvez possamos estar um pouco perdidos, sem saber muito bem como agir em alguns momentos. Estamos em fase de construção. O terreno ainda é incerto, o que gera insegurança.
Precisamos, quem sabe, de um pouco de calma. Mas calma é o que menos temos encontrado por aí, artigo raro no mercado. A vida anda cada vez mais acelerada. Existe uma busca por resultados imediatos. Perdemos também um pouco da paciência e do fascínio pela conquista, pelo cortejo. Há menos tempo para o encantamento e o mistério. Temos, ainda, uma série de aplicativos e recursos tecnológicos à nossa disposição, o que nos dá acesso a uma gama enorme de opções.
Toda essa pressa e todos esses recursos, quando não são bem administrados, só ajudam a mascarar ainda mais nossos medos, e assim nos olhamos cada vez menos (a nós mesmos e uns aos outros) aumentando os vazios e as distâncias.
Se nos deixarmos levar por essa energia do medo ficaremos parados. Nossas almas precisam seguir suas jornadas e continuar encontrando umas às outras para que possamos evoluir. É bem fácil de olhar em volta e observar que muitas pessoas estão deixando de se envolver, de se abrir para o outro porque podem se deparar com um trauma antigo, porque o outro pode não corresponder às expectativas, porque pode não dar certo…
Mas e daí se não der certo? A vida é feita de tentativas e erros e são os erros que nos fazem crescer e andar para frente. Carl G. Jung dizia:
“Não há despertar da consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.”
Não vamos nos distrair e nos distanciar da nossa própria alma. E também não vamos deixar o medo complicar demais as coisas. Quando estivermos interessados em alguém e resolvermos tomar um café, a única coisa que precisamos saber é: com ou sem açúcar? O resto deixa fluir…