O Outro como Reflexo de Nós Mesmos

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Quantas vezes em nossos relacionamentos amorosos nos deparamos com discussões que não estão nos levando a lugar algum? Quantas vezes nos irritamos e quando paramos para pensar não sabemos nem o que nos causou tanta irritação?

Ao contrário do que imaginamos, quando nos relacionamos os aspectos inconscientes da nossa personalidade muito frequentemente estão nos guiando mais do que a nossa própria consciência.

No nosso inconsciente encontra-se nossa sombra. Jung nos fala que nela podem estar contidas tanto características positivas, como nossos potenciais não desenvolvidos, quanto negativas, que são todas as coisas que rejeitamos, não queremos olhar, não aceitamos ou não reconhecemos em nós.

A forma mais comum desses conteúdos chegarem à consciência é através da projeção. Enxergamos no outro, sem perceber, tudo aquilo que não conseguimos enxergar em nós.

Por isso muitas vezes, nos relacionamentos, o que nos incomoda no outro ou o que mexe profundamente conosco, causando uma forte emoção, pode estar sinalizando algo que precisamos mudar ou simplesmente enxergar em nós. É como se fosse um espelho. Estamos vendo nosso próprio reflexo no outro.

É importante pararmos para pensar sobre a razão pela qual o que o outro fez está nos incomodando ou mexendo tanto com a gente. Não se trata de mudar o outro, apontar ou acusar, mas sim de entender o que acontece conosco e o que podemos fazer a respeito disso.

Tudo o que surge em um relacionamento amoroso parte de nós mesmos, é uma projeção do nosso eu, reflete o que o somos, a nossa identidade. Antes do outro, está o eu, como eu sou, o que eu quero ser, o que eu desejo, quais são as minhas frustações, minhas expectativas e minhas dificuldades.

Não podemos nos conhecer profundamente se não estivermos em relação. É através dela que nossas características que estão mergulhadas no nosso inconsciente podem vir à tona, tornando-se conscientes. Isso não ocorre somente nos relacionamentos amorosos. O mesmo também acontece nas nossas relações com a família, amigos, chefes e colegas de trabalho. 

É claro que este tema é muito complexo e não se encerra em apenas um artigo, o que ficam aqui são algumas questões para reflexão. Nos conhecermos não é um processo fácil, nem nos relacionarmos com o outro, justamente pelo fato de que o relacionamento nos leva ao encontro dos nossos pontos mais frágeis, que temos dificuldade de ver. O importante é estarmos atentos ao que está nos trazendo desconforto, para podermos seguir o caminho em direção ao nosso autoconhecimento.